Fale-me dos teus dias.
Da maré clama,
E da tua revolta.
Fale-me dos teus tempestuosos dias.
Dos teus dias calmos.
Tão simples,
E passados dias.
Fale-me das tardes dos teus dias.
E das tuas noites insanas!
Fale-me da inquietação do teu tempo.
Dos dias de chuva,
Da solidão!
Fale-me da distância.
Do remoto vislumbre dos dias de outono.
Do vento e dos dias mornos.
Fale-me da coragem.
Dos dias de tempestade.
Do cheiro da terra molhada pela chuva.
Fale-me dos dias de consciência.
De vertigem!
Ou mesmo de derrota.
Fale-me dos dias atônitos, cruéis e puros.
Alegres,
Ou apenas dias da tua existência,
Dentro das horas perdidas nos dias.
Fale-me dos dias.
Da tua vil virtude!
E desequilibrio sólido.
Fale-me de todos os dias.
Insanos ou não.
E de todas as noites inteiras,
vendo o tempo passar!
Fale-me dos sonhos que se escondem nos teus dias.
E das trevas ocasionais da tua realidade!
Fale-me da brisa que embala teus ternos dias,
De sol quente,
E da busca do frescor na sombra duma árvore.
Fale-me da tua luta,
Guerra contra o céu.
Da tua vontade,
E irritante persistência.
Fale-me daquele momento,
Da tua alma transparente,
Pensamentos quase apagados,
E corpo quente!
[...]
Fale-me do teu último dia.
Da sombra que se estendia por sobre teu corpo.
Da última sensação,
Do último momento.
10 de novembro de 2001.