quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Teus dias


Fale-me dos teus dias.

Da maré calma, e da tua revolta.


Fale-me dos teus tempestuosos dias.

Dos teus dias calmos.

Tão simples,

E passados dias.


Fale-me das tardes dos teus dias.

E das tuas noites insanas!


Fale-me da inquietação do teu tempo.

Dos dias de chuva,

Da solidão!


Fale-me da distância.

Do remoto vislumbre dos dias de outono.

Do vento e dos dias mornos.


Fale-me da coragem.

Dos dias de tempestade.

Do cheiro da terra molhada pela chuva.


Fale-me dos dias de consciência.

De vertigem!

Ou mesmo de derrota.


Fale-me dos dias atônitos, cruéis e puros.

Alegres,

Ou apenas dias da tua existência,


Fale-me dos dias.

Da tua vil virtude!

E desequilíbrio sólido.


Fale-me de todos os dias.

Insanos ou não.

E de todas as noites inteiras,

vendo o tempo passar!


Fale-me dos sonhos que se escondem nos teus dias.

E das trevas ocasionais da tua realidade!


Fale-me da brisa que embala teus ternos dias,

De sol quente,

E da busca do frescor na sombra duma árvore.


Fale-me da tua luta,

Da tua vontade,

E irritante persistência.


Fale-me daquele momento,

Da tua alma transparente,

Pensamentos quase apagados,

E corpo quente!


Fale-me do teu último dia.

Da sombra que se estendia por sobre teu corpo.

Da última sensação, do último momento.


10 de novembro de 2001.