O vazio está entre quatro paredes.
Nelas prendem-se sonhos e ilusões.
Nas paredes do meu quarto eu vejo você,
Em todas as paredes.
Então olho em seus olhos e não vejo nada.
Nada além do infinito.
Nada! Mas eles me dizem muito.
Dizem que as paredes são minha prisão,
Que fora delas existe o nada,
Que o abismo me dominará.
Entre essas paredes as formas criam vida,
Me assombram e dão medo.
Formas cabalísticas me seguem,
Dizem que o vazio é o meu lugar.
Das paredes do meu quarto vem as luzes,
Que transpiram a minha escuridão.
O ar que respiro,
Dói ao entrar em meu corpo.
Das paredes do meu quarto ouço vozes,
Vozes cruéis e velozes que atormentam minha escuridão.
Através das paredes o ar sinistro,
O medo!
Sinto gelar-me a alma, regada por minhas lágrimas, um suspiro infernal.
Delírio, dor, pensamentos obscuros.
Vozes, gritos delirantes, paz.
Atráves das paredes do meu quarto eu vejo.
Vejo vidas e soluços lacrimejantes.
Vidas sofridas, mãos vis.
Vejo ondas que vem do mar pra me levar.
Sombras que buscam paz a meu redor.
Através das paredes do meu quarto sinto a felicidade distante,
Querendo subitamente chegar a mim.
Sinto um amor acalentado em palavras fúteis.
Um amor inexistênte,
Torturador e tempestuoso.
Sinto finalmente,
Apenas o vazio entre as paredes do meu quarto.
Pelotas, 1998.