domingo, 14 de agosto de 2022

Perspectivas


 
 
Voar,
Desprender os pés do chão,
Sem medo da queda.

Sou todos os elementos.
Não sou permanente.

Posso voar e ter raízes.
Raízes que se desprendem do chão,
Como as orquídeas,
Que se enraizam nas árvores.

Poema escrito em 10 de agosto de 2022, inspirado pela oficina "Engenho de dentro" da Camila Duarte. Fotografia da minha mana Núbia.
 

terça-feira, 12 de abril de 2022

Sem título

 


 

 

Quisera eu encontrar as palavras certas pra dizer

Do horror e da beleza

Dos meus delírios passados.

 

Ontem vi a cidade no horizonte

Seus imensos prédios

Parecia apenas uma nuvem cinza

Diante da imensidão do mar e do verde

Da mata que resiste,

Que ainda existe.

 

Quisera eu encontrar um pouco de calma

Neste ser absurdo e incomunicável que sou.

 

Agora vejo de longe a imensa

Praia do Moçambique

Lugar de tantas memórias

De um passado recente

Que teima em invadir muitos minutos

Das minhas horas

 

Não tenho nenhuma inspiração

Escrevo estas linhas somente para mim

E a tinta que vai marcando o papel

Não serve pra mais nada

Que rabiscar palavras vazias

Repetidas e monótonas

 

Tantas gentes no mundo

Tanta confusão

E ainda assim o sol brilha

Sem consciência do tempo que contamos

 

O tempo das marés é calmaria

Longe está das nossas tramas

 

Que o mar me traga

Um pouco mais de paciência

Que a brisa reluzente traga

Do fundo do oceano

Uma medida mais exata

Para fugir do caos

 

Poema escrito em 06 de fevereiro de 2012. Fotografia do nascer do sol na praia do Moçambique em 26 de dezembro de 2021.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Presente

 


Das coisas que estão por dizer, não sei muito.

Palavras que não faziam mais parte da minha memória me surpreenderam

Um outro “eu” que estava quase morto pela rotina dos dias de labuta se fez presente

No fim tudo vai ficar bem, é o que diz minha alma

Por todos os amores frustrados, por todos os desencontros, sinto que deve haver paciência

Sem mais sofrimentos pelo que não pôde ser

Sem mais expectativas por grandes realizações

A grande realização agora, na vida adulta, é a luta diária

É o respirar fundo pra realizar o melhor possível em cada dia.

A alegria dos simples momentos,

Das aulas que mesmo em situações caóticas vem cheias de alegrias pela vivacidade das juventudes das outras gentes

Já não me sinto tão jovem, e tudo bem

O tempo passa, vamos ficando mais velhas, com marcas do tempo e quietude também

É bom não sentir tanta ânsia

Os sentimentos já não são tão intensos, mas a leveza reconforta

Palavras mais simples, menos metáforas, mais compreensão.

Todas as vezes que amei foram verdadeiras, alguns amores duraram mais outros menos, mas todos foram da alma, nos tempos em que foram vividos.

Nada foi falso, nada foi em vão.

 

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Para mim

 

Teu coração doeu, sentiste uma dor física que por pouco não soubestes acalentar. Mas, desta vez, não havia possibilidade de ocultar teus sentimentos. Nem festas, nem álcool, nem músicas machistas onde tu assumias o lugar de fala dos homens. Tu até tentou, chegou a dar o play no Zitarrosa, mas percebeu há tempo que não podia.
Hoje tu sabes que a dor faz parte da vida e que ela nos ajuda a crescer. Conseguiste caminhar de novo e ter convicção dos teus princípios para que nunca mais ninguém possa por em dúvida teu caráter, especialmente pra ti mesma.
Agora sabes que as palavras que dizes não são só da "boca pra fora", mas que emanam da alma. Sabes que a "vida verdadeira" está muito além de ti mesma. 

Escrito em 2020. Fotografia de 2021.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Querer

 


 

Queria não ter sofrido tanto

Queria ainda poder te escrever poemas de amor

Agora que aprendi que a poesia não precisa ser feita apenas para aplacar a dor

Falar do calor das tuas mãos

Bronzeadas pelo sol

Do teu cheiro de mate

De mato

Queria não chorar,

Todas às vezes em que ainda te amo

Mas o tempo não volta

Não há como apagar tudo o que vivemos.

 

06 de outubro de 2019.

 

sexta-feira, 11 de março de 2022

Ao canto dos pássaros


 


Vejo as folhas verdes caindo

Nada semelhante à chuva de ouro

Que tornou mais ameno

Um fim de tarde afogado em cerveja.

 

Sessou a chuva de folhas verdes,

Mas a brisa continua amena.

Quisera eu

Que as pessoas fossem,

Tão simples como os pássaros.

 

Ao produzir cultura

Às vezes deitamos para o chão

Toda e qualquer forma de espontaneidade.

 

Quisera eu

Estar menos imersa no emaranhado desse mundo.

Pelo menos nestes momentos,

Em que ensaio estes arremedos de poesia,

Minha alma se eleva um pouco além

Da caótica existência humana.

 

24 de janeiro de 2012.