domingo, 14 de agosto de 2022

Perspectivas


 
 
Voar,
Desprender os pés do chão,
Sem medo da queda.

Sou todos os elementos.
Não sou permanente.

Posso voar e ter raízes.
Raízes que se desprendem do chão,
Como as orquídeas,
Que se enraizam nas árvores.

Poema escrito em 10 de agosto de 2022, inspirado pela oficina "Engenho de dentro" da Camila Duarte. Fotografia da minha mana Núbia.
 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Presente

 



Das coisas que estão por dizer, não sei muito.

Palavras que não faziam mais parte da minha memória me surpreenderam

Um outro “eu” que estava quase morto pela rotina dos dias de labuta se fez presente

No fim tudo vai ficar bem, é o que diz minha alma

Por todos os amores frustrados, por todos os desencontros, sinto que deve haver paciência

Sem mais sofrimentos pelo que não pôde ser

Sem mais expectativas por grandes realizações

A grande realização agora, na vida adulta, é a luta diária

É o respirar fundo pra realizar o melhor possível em cada dia.

A alegria dos simples momentos,

Das aulas que mesmo em situações caóticas vem cheias de alegrias pela vivacidade das juventudes das outras gentes

Já não me sinto tão jovem, e tudo bem

O tempo passa, vamos ficando mais velhas, com marcas do tempo e quietude também

É bom não sentir tanta ânsia

Os sentimentos já não são tão intensos, mas a leveza reconforta

Palavras mais simples, menos metáforas, mais compreensão.

Todas as vezes que amei foram verdadeiras, alguns amores duraram mais outros menos, mas todos foram da alma, nos tempos em que foram vividos.

Nada foi falso, nada foi em vão.

 

 

sexta-feira, 11 de março de 2022

Ao canto dos pássaros


 


Vejo as folhas verdes caindo

Nada semelhante à chuva de ouro

Que tornou mais ameno

Um fim de tarde afogado em cerveja.

 

Sessou a chuva de folhas verdes,

Mas a brisa continua amena.

Quisera eu

Que as pessoas fossem,

Tão simples como os pássaros.

 

Ao produzir cultura

Às vezes deitamos para o chão

Toda e qualquer forma de espontaneidade.

 

Quisera eu

Estar menos imersa no emaranhado desse mundo.

Pelo menos nestes momentos,

Em que ensaio estes arremedos de poesia,

Minha alma se eleva um pouco além

Da caótica existência humana.

 

24 de janeiro de 2012.

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Seguir adiante

 




Estou aprendendo a calar minhas lágrimas

Mas não quero também 

Um dia

Não poder vertê-las mais


Busco equilíbrio neste mundo insano

E sei que vou resistir

Às dores do amor

Às dores de viver em um mundo tão injusto


Dói,

Dói o pesar de um amor  vão

De saber que a luta será tão árdua


Tenho que ter forças pra seguir adiante

Não tenho vergonha dos meus sentimentos

Pelo menos sinto e sei-me viva


Não me tornarei amarga

Por estes caminhos tão tortuosos.

 

Quantos poemas inconclusos!

Incompreensíveis

Por vezes, apenas palavras soltas. 

 

Escrito em  

29 de outubro de 2018.

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Sonhar

 



 
 
Recompor o tecido da vida
Recuperar a terra
Torná-la fértil novamente

Sonhar com dias melhores
De abundância e prosperidade

Deixar de lado os bens inúteis,
Impostos pela indústria capitalista.
 
Valorizar os frutos da terra
O alimento que nutre

Compreender a cultura 
Em que estamos imersos para transformá-la

Ter olhos,
Físicos ou da alma, 
Para ver a vida verdadeira
Que pulsa
Indiferente ao fluxo acelerado,
Alucinado,
Da sociedade de luzes artificiais e plástico.

Aceitar a morte, 
Como parte do processo,
As flores de plástico não morrem
Justamente porque não têm vida.

Escrito em 15 de agosto de 2018. 
Editado em 23 de setembro de 2023.
Foto de 31 de outubro de 2021.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Procuro um amor

 

 


 

Procuro um amor:

Que não seja passageiro,

Mas companheiro na vida,

Enquanto quiser o caminho.

 

Procuro um amor que seja livre,

Mas esteja presente.

Que seja consciente,

Mas não imponha verdades.

 

Procuro um amor pra amar:

Livre e verdadeiramente.

Que se vá quando quiser,

Não fique por conveniência:

Que tenha coragem de partir.

 

Esse poema é clichê.

E às vezes, o amor é clichê mesmo.

E não tem problema;

O problema é não saber amar,

E ter medo de partir.

 

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Manhã

 


A manhã é mais profunda que um dia de trabalho,
Nela ouço o canto da coruja no campo
E das caruíras no Ipê amarelo.
 
Vou à janela,
Fecho os olhos:
Sinto o sol,
Que dentro de mim é vermelho.


domingo, 1 de agosto de 2021

 Recomeçar

 

 


 

Quero dar mais tempo,
Pra cuidar da terra,
Cuidar de mim.
 
Preciso parar pra buscar esse tempo de novo.
Não quero me deixar envolver no fluxo acelerado,
Alucinante do mundo capitalista.

Eu sei quem sou:
Há tempos sou essa menina/mulher jardineira.
Deixo um pouco a velha rabugenta (que também faz parte),
E inicio um novo ciclo,
Consciente de quem sou e do que quero da e para a vida.

Vou dar o ritmo ao meu tempo.
Não me deixar afogar, apagar, secar,
Pelas demandas do mundo,
Nem por aquelas criadas por mim mesma.

Eu sou um ser vibrante,
Tenho em mim o comando dos fluxos das marés que me perpassam.

Praia do Moçambique, 1o de agosto de 2021. 
Viva Pachamama!

 
 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O resto de mim

 

 

Dos poucos vestígios que restaram daquelas que amei
E ainda amo
Quero as melhores lembranças
Bons momentos
Madrugadas cheias de esperança.
 
Muitas vezes na vida
Eu não soube amar
A correria do trabalho 
O despertar do toque do relógio...
A racionalidade incontida.
 
Permita-me o tempo compreensão
Permita-me a vida eternidade,
Quem sabe ao menos alguma partícula do meu ser.
 
Originalmente escrito em 17 de dezembro de 2012.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A terra e o vento

 

 

Criatura que permanece observando o dia 
E caminha
Com fendas produzidas pela terra
Criatura humana de pés descalços
Inchados da areia
O dedo do pé esquerdo sangrando
Pés sujos de lama e vento
E canta a dentro em cada canto.

Cria criatura
De mente branda
De louco
Cria tua loucura

Criatura que caminha na areia
Sempre de pés descalços
Descaso é o que tens
Descaso da razão

Caminha criatura
Cria
Não tortura
Caminha distante
De olhos largos no caminho

Canta breve criatura
Cria teu ser
Tu que és deus, tu que és vento, tu que és terra
Da terra te desfaz, e te faz sucessivamente
E constante cria a criatura
Criando realidades
Refletindo no espelho
Pingando de água do mar

Criatura pede canto escuro
E conta contos noite à dentro
Despede a luz do sol
Despede a realidade
É de terra e é de vento

Escrito na cidade de Pelotas por volta do ano 2000.
 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A vida é caminho

 

Para Sofia Gasparotto
 
A vida é caminho
Me disse uma amiga
Também penso assim.
 
A vida é caminho que vem, que vai,
Que bifurca
Às vezes faz a curva.
A vida é caminho que sobe,
Desce, 
Mas não para.
 
Podemos caminhar devagar 
E saber onde estamos pisando
Ou rápido demais
E levar tudo no atropelo.
 
Podemos ter consciência de que estamos caminhando
Ou simplesmente ser empurrados pelo curso do tempo.
Podemos decidir por onde e como caminhar.
Ou podemos deixar que decidam por nós
Com o risco de um dia abrirmos os olhos 
E tomarmos um susto com o destino alcançado.
Mas sempre é tempo de acordar
E tomar rumo próprio. 

Em 04 de setembro de 2019.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Mate


 

 

Somente o silêncio

Este amargo companheiro

Das madrugadas vazias

Das noites mal dormidas


Pra quebrar o silêncio

Apenas o canto do grilo

E de menos amargo em si

O mate das belas manhãs serenas de quase outono. 



Madrugada de 18 de março de 2012

À espera da manhã.


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Mulher

 
 
Sou mulher,
Trabalhadora.
E não me canso de lutar!

Sou mulher, 
Sangue vermelho, 
Que muda com a lua.

Sou mulher,
Corpo, mente, 
E espírito.

domingo, 23 de agosto de 2020

Singela resposta ao poema 15

 

 

Eu gosto quando falas
Quando expressas com palavras a verdade do teu coração 
Gosto quando me olhas
Com desejo e carinho.
Gosto também dos teus silêncios,
dos teus sorrisos.
Não quero calar tua voz
Não te quero distante
Mas vivendo no presente
Aprendendo com a dor
E buscando a alegria das coisas simples.
Te quero livre
Para que juntos ou sozinhos
Possamos cultivar o amor e a amizade.
Quero que fique,
Mas só e por quanto tempo quiser. 
Rio Vermelho, 08 de junho de 2018.