terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Antes da lua cheia

Eu sou a brisa que embala o canto sereno na lua cheia,
Sou a chama que não apaga,
Da vida,
Estou viva!
Que cada segundo seja pleno,
Cada instante vivido,
Que tenha vida,
Que seja amor.

Ao dissipar a incerteza,
Busco a beleza constante.
Paz não é possível sem luta,
E força para lutar é o que busco.

Porto Alegre, 03 de junho de 2012.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Repense o Descartes



Repense o Descartes
As coisas não são separadas,
É tudo junto mesmo no Planeta,
E no Universo também!

O pensamento cartesiano é que faz as coisas descartáveis.
É um mundo sem conexão.

Repense o Descartes,
E a ilusão do conhecimento objetivo.
Descartamos comida,
E há gente que não tem o que comer!

Basta de um pensamento tão raso.
Chega de franceses e ingleses do século XVII!
Repense também o Newton e o Locke.

Não me venha com essa de que as terras indígenas não são produtivas,
A sua produtividade está acabando com a nossa vida!
A agricultura indígena produz vida!
O agronegócio produz morte!

E se a questão é o avanço da ciência:
os Tupinambá já estavam bem à frente do tal do Newton.

Você pensa que seu celular é muito moderno?
E de onde veio boa parte dos metais contidos nele?
Do arcaico trabalho escravo infantil moderno!

Vamos transformar essa economia consumista,
Destruidora do Planeta e da Vida!
Basta já dos plásticos,
Basta de indústrias poluidoras.

Não às armas,
Pois é justamente onde se sustenta o Império,
Na guerra sem motivos,
Na destruição e sofrimento dos povos!

Vamos boicotar as indústrias mais lucrativas,
Consumir menos drogas vendidas nas farmácias!
Apoiando a Saúde Pública gratuita,
E o fácil acesso àqueles que necessitam dessa indústria para viver.
Que as pesquisas da área médica e os praticantes da medicina se ocupem mais em mitigar os males humanos,
E menos em ganhar brindes e viagens das indústrias que só visam ao mercado!

Viva aos Povos Indígenas,
Viva aos Quilombolas,
Viva aos camponeses, agricultores agroecológicos, ao MST,
E à todas as que lutam para que da terra se crie vida!

Que a força da vida seja maior que o espírito doentio e destruidor do Capital!

Escrito entre 18 e 21 de outubro de 2016. Com pequenas modificações em 15 de maio de 2024.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Urbano e Rural

Derrubar o Concreto,
Decompor o Asfalto,
Viver no Tempo da Natureza!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Aroeira

quarta-feira, 16 de março de 2016

Tempo e Tempestade

Deixem-me chorar
Uma tempestade passou por minha casa.
E não foi tempestade,
Nem de vento, nem de gente.
Foi tempestade de humores,
Humanos demais.

Há meses já que sinto a tempestade dentro de mim,
Ela foi me paralisando,
Fazendo a poeira assentar,
As teias de aranha espalharem-se pela casa.

Tem dias que as lágrimas custam a brotar.
Tenho me sentido estranha alguns dias,
Como se fossem feitos só para deixa-los passar,
Deixar que o tempo leve a tempestade embora,
E faça voltar a alegria dos dias calmos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sem título

Paraíso paralisante,
Sem prantos,
Nem espantos,
Nem espasmos inconstantes.

Importante mesmo é a brisa suave,
E a umidade que cobre o morro.

No balanço do mar,
Seja cinza, azul ou verde,
Está a beleza da vida,
O canto permanente da lua,
Semblante suave,
Leve desatino.

O outono e o cruzeiro do sul

Como gosto de ver-te cruzeiro do sul,
E saber que há mais do que posso ver,
E crer que há mais que esta vida breve,
Que estes dias vãos.

Como gosto de ver-te céu azul escuro,
E saber que o amor testemunha
O quanto ainda tenho que viver.

O verão já se vai,
Chega o outono com sua brisa suave,
Suaves dias,
Menos que vãos.

Desterro, 21 de março de 2015.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

É tempo de luta,
Tempo de floração e poesia!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ser presente

 


Passei muitos dias esperando,
A tua chegada, minha partida,
O teu adeus, minhas tardes vazias.

Passei metade da vida esperando,
Tentando compreender,
Conter e aplacar a dor.

E hoje pergunto a outro quem é,
E ele pergunta quem sou.

Sou apenas pó e esperança.
Não peguei a estrada por falta de coragem,
E coragem também me falta
Para confessar que nada sou.

E o querer, onde importa?
Quem quero ser?
Alcoólica ou desperta ao amanhecer?

Porto Alegre, 23/03/2012.
Fotografia em 25/06/2023 da Aloe Saponaria que ganhei da Mônica.
 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Reflexões de apartamento



A vida tem o sentido que se dá!
Nesta cidade tão grande,
Tão deserta e tão vazia,
Me consolam apenas o canto dos pássaros e o latido dos cães,
talvez presos em apartamentos (celas luxuosas [ou não]), como eu.

Podia esquecer todas as músicas que me deixam feliz,
Deitar para o chão toda a poesia.
E de que valeria esse abandono?
Sem isso o mundo fica mais cinza ainda!

Eu quero que pare agora o movimento das fábricas!
Já existem coisas demais neste mundo.
Chega, basta de acumular tanto,
E produzir tanto lixo.

Lembro da literatura que retrata o século XIX.
As pessoas tinham poucos roupas.

Agora temos um guarda-roupa atulhado,
Cheio de trapos que devem dizer quem somos.
Enquanto alguns muitos passam frio.

Temos dificuldade de dar,
Dar sem esperar algo em troca,
Quando damos e não recebemos nos sentimos frustrados,
Pelo menos é o que vejo em muitas situações.

Queria ter a esperança que demonstrava Marcel Mauss no começo do século XX.
Esse antropólogo francês acreditava que o movimento de trabalhadores se fortaleceria,
Porque as as pessoas se dariam conta que estavam vendendo algo mais do que sua força de trabalho,
Estavam vendendo seu tempo de vida. (mas é verdade que ele também acreditava na condescendência da burguesia).

As coisas precisam circular de outra forma que não a comercial.
Caso contrário continuaremos nos matando de trabalhar para encher os bolsos dos capitalistas,
E consumir coisas que vão virar lixo.

Concordo com o pessoal do M.A.U.S.S (Movimento anti-utilitarista nas ciências sociais), se é que da pouca leitura os entendi bem.
É preciso um retorno à dádiva.

Mas também é preciso uma enorme mudança na mentalidade,
para que dar não seja sinônimo de poder,
E para que receber não seja sintoma de inferioridade.
É, é um longo caminho.

Porto Alegre, 20 de julho de 2012.

A fotografia é do meu apartamento feita pela Elisa Gottfried.

Sol poente

domingo, 21 de setembro de 2014

De passagem

Dentro em pouco já me vou,
Deste mundo
E de outros mundos.

Aprendi a caminhar,
Deixando um rastro em cada canto.

Hoje, não quero ter tanto,
Para não deixar tanto.

Tanto de mim,
E tanto lixo.

Pois muito do que a mim serviu,
Não servirá a outros.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Exausta

Pleno silêncio!
Não fosse o exaustor.
Será que é ele que às vezes exaure a minha vontade?

Alguma madrugada fria de 2012 na caótica Porto Alegre.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Açude

Carne





Sonhei com este poema no ano passado. No sonho me ocorreram apenas algumas palavras, não sabia que poema era, fui procurar.
Fiquei impressionada com a memória inconsciente. O poema tinha uma relação direta com o sonho.


Se fiquei esperando,
Andei olhando
A imensa onda de carma
Que atravessa o mundo.

O mundo é de carne,
E andei ouvindo
Vozes distantes e reais,
Humanas demais.

Se fiquei esperando,
Fechei os olhos por um instante
Vi apenas pensamentos confusos
Entrelaçados à verdade.

O mundo é de terra
E barro vermelho,
Eu sou de carne
E sangue vermelho.


No sonho, o barro vermelho era da estrada em uma coxilha onde passei parte da infância, mas isso não diz muito...
Ah, ia me esquecendo, como gosto de marcar as datas, o poema foi escrito em 04 de julho de 2004.
Fotografia de 21 de novembro de 2021.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Uma noite

 

 


Quando tudo parece tão sólido,
O que desmancha no ar não são as cordas do teu violino.
São as cordas do sentir que atravessam as paredes vazias.

E onde está o silêncio?
Onde está a solidão,
Que presa à garganta desata os pesados nós da vivência?

O que desmancha no ar,
Não é o teu ser constante.
É um arremedo do meu ser confuso.
São as sólidas marcas do tempo que me fazem existir.
São as marcas do medo perdido,
E o desatino da compreensão.

Destas palavras,
Se fez o caos.
Do caos,
Se fez o sossego.
E a inquietude persiste nas insertivas do eu,
Sem definição,
Perdido nos momentos, movimentos em torno da vida,
Causa do meu desassossego.

Pela inquietude respondo aos gritos.
Passos incertos perseguem as poucas noites de total compreensão.
Mas isto é somente arremedo,
A noite já passou. 

Poema sem data.
Fotografia de 14 de junho de 2022.
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

El querer


Si me quieres,
Me buscarás,
Como el río busca el mar.

Si me quieres,
No me olvidarás,
Aunque lo quieras.

Si me quieres,
Soy tuya para que me ames,
Y no para que me possuas,

Si me quieres,
Tendrás que cuidar,
De no hacerme llorar.

Si me quieres,
Me acompaña,
Y asi yo también te acompañaré.

Si me quires,
No me dejes esperando,
Yo te quiero,
Pero aprendi a querer más a mi.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Os pássaros

terça-feira, 9 de julho de 2013

El olvido

Si ya no te puedo olvidar
Que el tiempo se encargue de llevarte de mi ?
Que haces ainda en mi memoria?
Que se vayan las tardes de sol,
Las manhañas de mate y charla.
Si ya no te puedo olvidar, Que hacer?
Dejaré que el sucessivo nacer y morir de los días haga también morir tu amor.
Se ya no te puedo olvidar, que esteja tranquila,
Que haga sentido en el continuo desarrollar del tiempo.
 Si ya no te puedo olvidar, que no me olvide de mi.
Que te vayas bien, Lejos estás, Y quedarás por el camiño.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

É tempo...

É tempo de escrita. É tempo de respirar, sentir o dia. É tempo de prosseguir, seguir adiante, desviando das calçadas frias, cinzas, da minha imaginação!