segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Jardim

 

 

Não era febre, era só tristeza. Às vezes preciso ficar quieta, só esperando o tempo passar, tentando respirar. Talvez eu absorva demais as coisas do mundo. Às vezes, em delírio,  sinto o mundo dos humanos inteiro voltado contra mim, mas talvez, eu apenas seja sensível demais. Às vezes é preciso saber o momento de parar e ficar mirando o horizonte. Talvez eu só precise desfazer um pouco dessa carga toda que carrego. A vida é curta demais pra passar quatro décadas dando murro em ponta de faca, batendo a cabeça contra a parede.

Quero passar um tempo só cuidando do jardim.

Escrito em 05 de outubro de 2021. Fotografia de 12 de novembro de 2022.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Contratempo

 

Eu quis dar um tempo 
De tudo o que está
Desse mundo louco
Que não tem mais lugar
 
Tomei meu caminho
Tentando encontrar
Um rumo mais tranquilo
Pra poder descansar
 
Nesse tempo 
Contratempo 
É o que há
Não há mais
Paciência
Nem amor
Nem ar

Sempre caminhando
Procuro encontrar
A força e a coragem
Para poder lutar
Por justiça e liberdade
Buscando o meu lugar

Nesse tempo
Contratempo
Pra recomeçar
Cultivando bem a terra
Pra continuar

Poema de 2021, fotografia de 2022. Rio Vermelho.

domingo, 23 de outubro de 2022

Ser

 

 


E se eu te dissesse tudo o que penso
E o que não penso também? 
Se eu parasse por alguns instantes e sentisse profundamente  o som da chuva?
Se apagasse a luz,
Fechasse os olhos?
Talvez eu pudesse sorrir.
 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Vazio

 

Tanto descompasso

Canto acelerado

Perdido num turbilhão de vozes.

Da beleza pouco compreendida,

 Da simplicidade da vida.

Caminho pela orla do mar,

Ainda tenho essa liberdade.

Ninguém cala meu grito,

Embora ele se expresse em silêncio.

Só o olhar diz da alma,

Do que ainda não posso expressar em palavras.

domingo, 14 de agosto de 2022

Perspectivas


 
 
Voar,
Desprender os pés do chão,
Sem medo da queda.

Sou todos os elementos.
Não sou permanente.

Posso voar e ter raízes.
Raízes que se desprendem do chão,
Como as orquídeas,
Que se enraizam nas árvores.

Poema escrito em 10 de agosto de 2022, inspirado pela oficina "Engenho de dentro" da Camila Duarte. Fotografia da minha mana Núbia.
 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Presente

 



Das coisas que estão por dizer, não sei muito.

Palavras que não faziam mais parte da minha memória me surpreenderam

Um outro “eu” que estava quase morto pela rotina dos dias de labuta se fez presente

No fim tudo vai ficar bem, é o que diz minha alma

Por todos os amores frustrados, por todos os desencontros, sinto que deve haver paciência

Sem mais sofrimentos pelo que não pôde ser

Sem mais expectativas por grandes realizações

A grande realização agora, na vida adulta, é a luta diária

É o respirar fundo pra realizar o melhor possível em cada dia.

A alegria dos simples momentos,

Das aulas que mesmo em situações caóticas vem cheias de alegrias pela vivacidade das juventudes das outras gentes

Já não me sinto tão jovem, e tudo bem

O tempo passa, vamos ficando mais velhas, com marcas do tempo e quietude também

É bom não sentir tanta ânsia

Os sentimentos já não são tão intensos, mas a leveza reconforta

Palavras mais simples, menos metáforas, mais compreensão.

Todas as vezes que amei foram verdadeiras, alguns amores duraram mais outros menos, mas todos foram da alma, nos tempos em que foram vividos.

Nada foi falso, nada foi em vão.

 

 

sexta-feira, 11 de março de 2022

Ao canto dos pássaros


 


Vejo as folhas verdes caindo

Nada semelhante à chuva de ouro

Que tornou mais ameno

Um fim de tarde afogado em cerveja.

 

Sessou a chuva de folhas verdes,

Mas a brisa continua amena.

Quisera eu

Que as pessoas fossem,

Tão simples como os pássaros.

 

Ao produzir cultura

Às vezes deitamos para o chão

Toda e qualquer forma de espontaneidade.

 

Quisera eu

Estar menos imersa no emaranhado desse mundo.

Pelo menos nestes momentos,

Em que ensaio estes arremedos de poesia,

Minha alma se eleva um pouco além

Da caótica existência humana.

 

24 de janeiro de 2012.

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Seguir adiante

 




Estou aprendendo a calar minhas lágrimas

Mas não quero também 

Um dia

Não poder vertê-las mais


Busco equilíbrio neste mundo insano

E sei que vou resistir

Às dores do amor

Às dores de viver em um mundo tão injusto


Dói,

Dói o pesar de um amor  vão

De saber que a luta será tão árdua


Tenho que ter forças pra seguir adiante

Não tenho vergonha dos meus sentimentos

Pelo menos sinto e sei-me viva


Não me tornarei amarga

Por estes caminhos tão tortuosos.

 

Quantos poemas inconclusos!

Incompreensíveis

Por vezes, apenas palavras soltas. 

 

Escrito em  

29 de outubro de 2018.